TURBINADO ENTREVISTA MATANZA RITUAL: “TOCAR BEM É MUITO MAIS DO QUE TOCAR UMA PORRADA DE NOTAS...”

Publicado em Dezembro 22, 2022
Autor / Fonte: GLAUCO MALTA


TURBINADO ENTREVISTA MATANZA RITUAL: “TOCAR BEM É MUITO MAIS DO QUE TOCAR UMA PORRADA DE NOTAS...”

Entrevista e fotografia por: GLAUCO MALTA

Durante a passagem da banda Matanza Ritual por Porto Alegre fomos bater um papo com Jimmy London (vocal), Felipe Andreoli (baixo) e Antonio Araújo (guitarra) pouco antes dos caras subirem ao palco do Bar Opinião, confira a entrevista abaixo.

TURBINADO – Jimmy, em primeiro lugar quero agradecer o seu tempo e a oportunidade de fazermos esta entrevista, e te dizer que você “juntou” grandes músicos para esta jornada com você no Matanza Ritual. Esse trio com Antônio, Felipe e Amilcar é de peso e os caras são músicos extremamente talentosos e virtuosos, como é segurar todo esse virtuosismo para se encaixar no estilo de som da banda?

JIMMY – Eu que agradeço! Cara, respondendo a sua pergunta eu quero dizer que não chamei esses caras só porque eles tocam muito bem, eu tive a preocupação de chamar pessoas que a gente sabia que eram pessoas legais, profissionais maneiros, bons de trabalhar e que tinham um astral muito bom, mas parte disso também tem uma relação boa com o virtuosismo, porque a virtuose pela virtuose sozinha se perde. Há pessoas que tocam bem e que conseguem lidar com isso e entendem que tocar bem é muito mais do que tocar uma porrada de notas, mas é fazer coisas legais para aumentar o potencial da comunicação da música, isso é muito mais importante, essa é a grande virtuose, saber se colocar prá caralho dentro da mensagem da música. Nessa parte eu fui muito bem-sucedido porque eu escolhi essas pessoas muito legais, eles têm muita paixão pela música.

 

TURBINADO – Os sons do Matanza sempre seguiram uma métrica muito característica em suas músicas, e que virou uma “marca registrada” da banda, este estilo e sonoridade caiu no gosto da galera que se identificou de cara com a banda, como está rolando o processo de composição de material novo do Matanza Ritual?

JIMMY – Na verdade a gente ia fazer esta tour antes da pandemia, e aí parou a porra toda e a gente andou falando muito e compondo muito a distância, eu componho muito com o Antônio por exemplo, ele mora muito longe de mim, eu moro no Rio de Janeiro e ele em Recife, e é uma coisa muito engraçada, eu nunca tinha passado por isso na minha vida. A gente vem fazendo isso, claro que esse jeito de compor é mais lento (é óbvio), até você pensar e conseguir passar o que você está querendo dizer para o outro cara  tudo isso demora muito mais. E tá rolando, a real é que a gente já tem uma porrada de música pronta, o lance é a gente entender o que vamos fazer com essas músicas no futuro, se vai fazer um disco, se vai lançar vários singles, eu por exemplo adoro EP’s, aqueles com quatro músicas, adoro essas coisas malucas. A gente tem muitas possibilidades, não temos nenhuma obrigação de assinatura sônica ainda, temos total liberdade de timbragem que pode ser orgânica ou ir pra outro lado, essa parte é muito boa e ao mesmo tempo pode ser paralisante por conta de tanta coisa que temos.

 

TURBINADO – E pra você Antônio, como tem sido participar de todo esse processo?

ANTÔNIO – Sem palavras brother, “du caralho”, tá sendo muito legal participar da tour e tocar as músicas do Matanza e de todo legado da banda. Agora essa fase de compor material novo tem sido muito legal, sou apaixonado por composição, adoro compor, tem sido um baita aprendizado pois estou fora da minha zona de conforto, sou um cara do metal e do thrash metal que também faz parte do universo do Matanza Ritual, mas o universo da banda é muito abrangente, e tô aprendendo e estudando coisas novas no instrumento, buscando novas influências e isso tem sido legal pra caralho; é o tipo de desafio positivo para o músico.  

 

TURBINADO – E com você Felipe, como foi receber o convite para integrar o Matanza Ritual?

FELIPE ANDREOLI – Foi uma coisa surpreendente a princípio por eles terem pensado em mim, eu venho de outro estilo musical que é totalmente diferente. Depois de receber o convite fui ouvir o Matanza, pesquisar e entender um pouco mais a sobre a banda,  e apesar de ser um estilo que eu ouvia muito pouco eu percebi a qualidade e a verdade no som da banda, e principalmente o Jimmy sendo a voz que carrega essa verdade musical; então eu aceitei; primeiro porque os caras são Brothers meus, principalmente o Antônio que eu já conhecia bem e o Jimmy fui conhecer melhor depois; e segundo pelo desafio de fazer um show diferente, gosto quando sou chamado para fazer coisas diferentes que estão fora da minha zona de conforto. Muita gente inclusive argumentou que eram solos muito simples e que eu estava acostumado a tocar solos com muitas notas, na verdade todo solo tem uma estética e uma maneira própria para ser tocado, e eu tive de aprender também para tocar no Matanza Ritual, foi um aprendizado geral, criamos uma sinergia que se traduz no palco, o show é muito divertido, bem diferente do Angra que é mais cerebral.

 

TURBINADO – Jimmy, andei conversando com a galera lá fora e tem muita gente curiosa querendo saber se tem alguma previsão de lançamento do material novo?

JIMMY – A verdade é que não, realmente a gente tá bem tranquilo nesse processo, estamos fazendo com calma e quando a gente achar que tem de mostrar vamos mostrar, acho que vai ser legal, por enquanto sem previsão, vai ser surpresa pra galera!

 

TURBINADO – Jimmy, vamos mudar um pouco de assunto, eu acompanho o Matanza praticamente desde o começo e paralelamente a sua carreira também, eu arriscaria a dizer que você é o cara do rock ‘n’ roll mais multimídia do Brasil, você é cantor, compositor, apresentador, jogador de futebol (risos), ator de TV e cinema; em que momento virou essa chave e você abriu esse leque tão amplo na sua carreira?

JIMMY – Eu sou muito sem vergonha, o fato de eu ser muito sem vergonha é essencial para esse processo todo, porque as vezes eu chego lá pra fazer uns lances com o Antônio Fagundes saca, e tem umas responsas assim que você não pode ficar nervoso, não pode deixar “adrenar”, você tem de fazer o lance mesmo sem saber muito bem; essa é uma parte, a outra parte é que eu sou um maluco meio “caxias”, eu estudo as paradas e não me jogo de malandrão sem resolver os problemas antes.

 

TURBINADO – Quero agradecer novamente a oportunidade e pedir para você deixar uma mensagem para a galera que vai ler esta entrevista no Site. 

JIMMY – Eu quero que todo mundo se divirta muito, a única coisa que a gente pode fazer atualmente, é bom, é importante continuarmos consumindo cultura, arte e tudo que for possível.


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