OS PARALAMAS DO SUCESSO SHOW “SINAIS DO SIM” – SALÃO DE ATOS DA PUC (PORTO ALEGRE - 9/05)

Publicado em Janeiro 14, 2020
Autor / Fonte: EDUARDO HOLMES


OS PARALAMAS DO SUCESSO SHOW “SINAIS DO SIM” – SALÃO DE ATOS DA PUC (PORTO ALEGRE - 9/05)

Porto Alegre - Salão de Atos da PUC - 09 de maio, sábado, 21hs

Os Paralamas do Sucesso fazem o show de lançamento do novo disco “Sinais do Sim”. Com concepção artística dos Paralamas e José Fortes, direção de imagens de Batman Zavareze e design de iluminação de Cristiano Vaz e Marcos Olívio, a banda apresenta as novas músicas, seus grandes sucessos, como “Alagados”, “Meu Erro”, “Uma Brasileira”, além de canções que estavam há muito tempo fora do repertório, “O amor não sabe esperar” e “Capitão de Indústria” de Marcos e Paulo Sérgio Valle.

 

Esperança e experiência

Já passaram mais de 30 anos desde que Os Paralamas do Sucesso queriam tocar na capital. Após centenas de capitais e cidades ao redor do mundo, Sinais do Sim é lançado para confirmar o que todos sempre souberam: Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone e seus parceiros de banda e de vida são infinitos. Tal longevidade em um país como o nosso – e de uma banda, inteira, não apenas de um nome sobrevivente – é uma conquista rara. Com este novo trabalho, a fidelidade ao rock brasileiro e universal que eles inventaram permanece impecável. Os três, do começo ao fim.

Essa permanência abriu caminhos para que seus músicos não cessassem de expandir a criatividade. Aliás, com o tempo, tornaram-se cada vez melhores. Em Sinais do Sim essa expansão chega a um patamar renovador com a presença de Mario Caldato Jr. na produção do disco. Sua experiência e qualidade atestada em dezenas de trabalhos ao longo de mais de três décadas ao redor do mundo, com os mais diversos gêneros, faz dele o parceiro perfeito para uma banda que sabe exatamente o que quer e, principalmente, que sempre arrisca um passo além.

Trabalhar entre a experiência do tempo e o frisson do risco é uma das marcas do disco. Em  muitas  das  faixas,  as  letras  e  a  pressão  do  som  – pressão,  aliás,  é  uma  palavra fundamental ao se ouvir Sinais do Sim – sinalizam uma abertura madura para o novo enquanto  horizonte  de  vida.  São 11 canções  que  nos  dão  a  justa  medida  entre  a experiência  da  dor  e  a  renovação  da  esperança.  Somos  convocados  a  entender  que  o sonho é uma saída potente em tempos de medo. O novo, nesse caso, é seguir em frente, fazendo da fragilidade de cada um de nós a força para insistir. Já na capa, a escultura de Barrão nos mostra o quanto de força e leveza se exige para atravessarmos nossas longas estradas.

Na primeira música, “Sinais do Sim”, somos contagiados por essa positividade realista. “Se deixe levar por mim”, convoca Herbert, constatando algo que, se pode soar óbvio, ainda é fundamental lembrar: já chegamos até aqui. E se tem uma banda que pode dizer com afeto e certeza algo assim, são Os Paralamas. Esta é a única música em que apenas os três tocam. Uma abertura que confirma o compromisso de amigos com os sins maduros da vida.

A faixa seguinte, “Itaquaquecetuba”, traz a formação que se tornou a marca da banda nos  anos  1990  e  deu  identidade  única  ao  seu  som.  Com  os metais  de  Bidu  Cordeiro (trombone) e Monteiro Jr. (saxofone) e os teclados de João Fera temos o time completo que faz a letra de Herbert saltar do jogo de sílabas peculiares de cidades brasileiras para um swing irresistível e pulsante no ir e vir das métricas e divisões.

“Medo  do  Medo”,  por  sua  vez,  já  surge  como  um  hino  contemporâneo.  Profecia transatlântica  –  a  música  de  2007  é  da  rapper  portuguesa Capicua  –  temos  um diagnóstico afiado do tempo em que Os Paralamas vivem e cantam. Mais uma vez, em meio à escuridão do futuro, a banda cria uma faixa poderosa para acender a luz no fim do  túnel.  Sua  longa  lista  de  medos  ancestrais  e  mundiais  ganha  intensidade  com  a escalada   de  volume  dos   instrumentos.   Os   efeitos   de   Kassin   dão   a   atmosfera claustrofóbica  de  uma  canção  que  nos  faz  respirar  fundo  para  mergulhar em  uma necessária  potência  propulsora.  Para  perdermos  nossos  medos,  precisamos  conhecer cada um deles.

A partir de “Não posso mais”, música de Nando Reis, a abertura intensa com sonhos, mapas e medos dá lugar ao amor em suas múltiplas dinâmicas que a banda sempre soube explorar. Ainda assim, estamos em um disco que não deixa o ouvinte piscar. Sinais do Sim é um trabalho que nos prende do começo ao fim em seu fio de experiências, relatos, vidas.

“Teu olhar” e “Contraste”, quinta e sexta faixas do disco respectivamente, seguem o  fluxo romântico da canção anterior, porém, como diz uma das letras, “longe dos  clichês”. São bem diferentes em suas propostas, mas apontam as desmedidas da paixão

– uma outra forma de sonharmos futuros? A primeira, é marcada pela presença dos violoncelos de Duo Santoro (Paulo e Ricardo) em diálogo com os teclados de João Fera. Já na segunda, temos a percussão de Pupillo, baterista da Nação Zumbi. A faixa mostra com maestria como Os Paralamas permanecem contemporâneos. Sua qualidade pop é imediata e em poucas audições já é preciso cantá-la com eles.

“Cuando passe el temblor”, de Gustavo Cerrati, reforça o longo laço dos Paralamas com o rock latino-americano e, particularmente, com a banda-irmã Soda Stereo. Já “Corredor”, com seu clima de blues em beira de estrada (os teclados de Maurício Barros e a guitarra de Herbert confirmam a atmosfera de bar), e “Blow the Wind”, são duas músicas que seguem a linha ascendente do disco em suas sonoridades redondas. São músicos que exploram suas melhores habilidades e tornam palpável o prazer que sentimos ali, em qualquer língua.

“Olha a gente aí”, décima música, aponta a reta final em celebração. A faixa nos joga pra cima desde o primeiro acorde. Novamente, temos os sonhos, a vontade de respirar e a busca da renovação, temas sugeridos por citações do poema “Ó sino da Minha Aldeia”, escrito  por  Fernando  Pessoa  em  1913.  Herbert  consegue  articular  os  versos  do  poeta com os seus, criando uma rara presença da tradição moderna em meio à divisão do rock.

Para encerrar esse disco conciso, certeiro e potente, “Sempre assim” oferece o relaxamento jamaicano (uma das marcas da banda) para o descanso do ouvinte após a travessia de guitarras, efeitos e acordes firmes de rock setentista. Ainda aqui, na décima-primeira faixa, eles permanecem pregando o sonho. Um sinal que deve ser valorizado em um período com poucas aberturas para isso. O jogo entre esperança e resignação, renovação e maturidade, faz com que terminemos o disco convencidos de que, 35 anos depois, Os Paralamas emitem os fundamentais sinais do sim para o Brasil e o mundo. Um disco que, em muitos aspectos, é a síntese de todos os seus trabalhos anteriores. Mais uma vez, eles mostram o que pouquíssimas bandas podem dizer em alto e bom som: olha a gente aí!

Fred Coelho

Professor de Literatura e Pesquisador da PUC-Rio Agosto de 2017

 

Herbert Vianna (voz e guitarra)

Bi Ribeiro (baixo)

João Barone (bateria e vocais)

João Fera (teclados)

Bidu Cordeiro (trombone) Monteiro Jr (sax)

 

https://www.ingressonacional.com.br/evento/15879/paralamas-do-sucesso

Informaçoes: (51)99636.5678
 
REALIZAÇÃO: EDUARDO HOLMES e PLANET SHOWS

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