ENTREVISTA COM A CANTORA E COMPOSITORA BAIANA LIA

Publicado em Junho 28, 2021
Autor / Fonte: GLAUCO MALTA


ENTREVISTA COM A CANTORA E COMPOSITORA BAIANA LIA

Turbinado - Boa tarde LIA, quero em primeiro lugar agradecer pelo seu tempo e pela oportunidade de batermos esse papo. Para começarmos gostaria de pedir para você se apresentar para a galera que acompanha o Site, “Quem é a LIA? Como você se definiria?

LIA – Então! Vamos do começo, eu nasci em uma família repleta artistas, de músicos, meu pai e meus tios cantam e todos sempre muito envolvidos com a arte, e acabou que foi um caminho muito natural pra mim. Eu sempre fiquei rodeada de música de diferentes estilos, no início eu ouvia muita MPB, mas aí fui pesquisando pela internet e me descobri mais no âmbito do “Soft Pop”, “Indie Pop”, “Pop Rock” em certas épocas, mas atualmente eu gosto de cantar um “Soft Pop”, músicas que possam ter raízes de ritmos baianos, sempre misturando um pouco das coisas que eu gosto de ouvir com as coisas que eu gosto de cantar.

Lia Gomes, antes de ser LIA era Lia Gomes, na época em que eu participei da primeira edição do The Voice Kids lá em 2016 e entrei para o time de Carlinhos Brown, foi uma época maravilhosa que me fez crescer bastante e me encontrar com a música; e depois de um tempo fiz umas gravações e umas pesquisas maiores sobre quem eu quero ser como artista no mercado da música, tirei o meu sobrenome, coloquei o meu nome todo em caixa alta, mudei muita coisa e hoje eu me encontro LIA com 19 anos cantando músicas “semi alternativas” e tentando trazer algo novo para o mercado.

Turbinado – Eu assisti aos seus clipes e ouvi o seu novo EP lançado recentemente com as 3 novas músicas, são ótimas canções, realmente uma grata surpresa, e eu destacaria sem medo de ser que a música “Vejo Você e Eu” é uma das melhores músicas lançadas na MPB este ano que eu ouvi; fala um pouco desta canção pra gente.

LIA – Obrigada!  Essa música foi escrita (se eu não me engano) em 2017 e eu estava em um relacionamento na época e o relacionamento acabou. E a música fala exatamente sobre isso, de você não conseguir parar de enxergar a pessoa que você tinha o relacionamento em todos os lugares, e se vê presa naquele ciclo de confusão de não entender porque certas coisas deram erradas no meio do caminho. A letra eu gosto muito dela e o arranjo e a melodia que foi feita em cima dela combinaram muito, não poderia ser diferente e esta é uma das minhas músicas prediletas.

Turbinado – A produção da música e do clipe ficaram excelentes, e o clipe em preto e branco foi uma grande sacada, deu um clima todo especial para a canção.  

LIA – Eu estava com uma banda na época e os arranjos foram feitos com essa banda, por isso esse som mais acústico quase não tem “sampler” nenhum. Atualmente eu estou com a ”Butuka Produções”, e só agora em 2020/2021 nós conseguimos pôr a mão na massa, e foi uma maravilha fazer o clipe, eu amei muito, foi perfeito!

Turbinado – A outra canção deste EP é “16”, e me surpreendeu pela a levada bem “jazz” do contrabaixo, algo diferente que não vemos esse tipo de referência musical hoje em dia.

LIA – Na época em que essa música foi gravada entre 2017 e 2018 eu estava muito na levada “Pop Rock”, e eu queria algo mais “dançável”, e a gente não estava conseguindo encontrar o “feeling” da música e quem gravou esse baixo foi outro baixista, se não me engano o nome dele é Vinícius e a levada ficou maravilhosa, aí fizemos “16” com essa pegada meio jazz e meio pop, a produção ficou perfeita, posteriormente regravamos as vozes depois de um tempo deixando a sonoridade dela bem mais preenchida.

Turbinado – Estamos completando praticamente 15 meses da pandemia e de quarentena, e nós que somos da área da cultura fomos os primeiros a parar e infelizmente seremos os últimos a retomar as atividades 100%. Como foi e está sendo este período para você, compôs muitas músicas, como ocupou seu tempo nesse período? 

LIA – No início da quarentena que foi aquela “bomba” de ficar em casa e redes sociais, eu fiquei muito ligada nesse mundo; lá pelo meio de 2020 eu ainda estava me ajustando a esse mundo da quarentena e comecei a compor mais, fiz algumas músicas e entrei em contato com a produção da “Butuca” e fechamos um contrato para podermos fazer algumas produções durante a pandemia. Muita gente está produzindo dentro da quarentena e depois que isso acabar vai ser um estouro gigantesco de muitos shows e eventos e a galera louca pra sair de casa, então precisamos ter um material pronto e estamos neste processo de mais produções, a primeira produção foi o EP com o clipe, e agora estamos no processo de gravar um álbum de músicas autorais e lançar músicas “cover” de umas versões que estão bombando por aí totalmente repaginadas no estilo “R&B”, “Jazz Contemporâneo”, “Trap”, bem diferente, outra vibe.

Turbinado – Como funciona o seu processo criativo para compor uma música? Ela vem naturalmente ou você é daquele tipo de artista que consegue sentar e compor uma música na hora que quiser?

LIA – Eu esperava muito a inspiração chegar e isso meio que acaba prendendo muito a pessoa, por exemplo, tem vezes que eu penso assim: “agora eu vou compor, não vou fazer outra coisa, vou compor!”. E quando eu preciso fazer uma pausa eu faço e vou consultar alguns amigos que também são compositores para dar uma lapidada.

A primeira música que eu compus sozinha sem a ajuda de ninguém é também uma das minhas preferidas de todas, eu acho a letra muito bem-feita e ficou super a minha cara mesmo, foi uma verdadeira epifania, não foi uma coisa que acontece sempre, eu estava inspirada e com vontade de compor. Como eu disse em tenho muitos membros na minha família que são da música, muitos amigos que estão no mesmo ramo que eu e um ajuda o outro. Meu processo de composição é bem tranquilo, eu não tenho muito técnica pra ficar pensando se vai ser A, B ou C, se vai ser “rima rica” ou “rima pobre”, não penso muito sobre isso não, eu faço de acordo com o que eu acho que as pessoas querem ouvir.

Turbinado – Suas composições têm muita passionalidade e um contexto pessoal nas letras correto?

LIA – Não está errado não, geralmente tem um contexto sim, eu tento escrever sobre o que eu estou passando. Por exemplo em 2017/2018 eu estava no colégio e não tinha muito tempo para escrever, e aí acontecia de eu estar passando por uma determinada situação e eu contava para o meu pai e aquilo acabava se tornando uma inspiração e rolava uma parceria entre eu e meu pai, a maioria das composições foram feitas por nós.

Turbinado – Eu vi uns vídeos que você postou em seu canal do Youtube com seu pai, “seu Maurício Carvalho”, e ele manda muito bem, será que vai rolar alguma participação no seu novo álbum?

LIA – Olha, eu vou te dizer, a gente está fazendo uma gravação de um cover de uma música, e eu já pedi para ele fazer algumas vozes e ele está dentro sim de algumas faixas, a gente começou a fazer a composição do álbum por agora, então talvez no futuro ele entre um pouco mais, vai que ele vire um cantor também, quem sabe!

Turbinado – A gente sabe que o músico independente e que trabalha seu trabalho autoral tem que ralar muito para conquistar seu espaço no meio artístico. Aí na Bahia os locais onde ocorrem apresentações ao vivo dão oportunidade para que a música autoral possa ser mostrada?

LIA – Ser artista independente no geral é muito difícil, eu não posso comparar a Bahia com São Paulo que é um “Point” da diversidade musical, tem muita gente lá. Aqui estamos abertos a muitos ritmos mais comerciais que caem no mercado para algo que esteja ligado a dançar ou ir a uma festa, tem muita gente entrando para o nível comercial e tocando o que as pessoas querem ouvir para conseguir um espaço e a partir daí poder mostrar seu trabalho autoral, o que na minha opinião não é nenhum problema, não é se vender, afinal de contas o que nós queremos é fazer arte e cantar, e cantar algo comercial não deixa de ser algo artístico.

Turbinado – Você faz parte de uma geração que está altamente ligada a tecnologia, você acha que o lance que compensa mais para o artista é o “Streaming” ou o “Palco” para ganhar grana e sobreviver?

LIA – São dois mundos diferentes, Caetano Veloso disse que na época dele ele deu sorte, porque na época dele a visibilidade era muito baixa, então você tinha que ligar para rádio, mandar material para as produtoras. Hoje em dia ficou muito mais fácil lançar a música nas suas redes sociais, e ao mesmo tempo encontramos outros tantos talentos muito mais fácil, e ao mesmo tempo acaba gerando uma concorrência muito maior, é uma coisa louca de se pensar, “não é nem bom nem ruim”, é ruim para quem está competindo e bom porque é muito mais fácil e tranquilo você encontrar o seu público e atingir as pessoas que você quer; o mais importante é trazer algo e se destacar.

Turbinado – Como foi essa parceria no single (música e clipe) “Escute Quando Estiver Triste” gravada pelo Saulo?

LIA – Cara, foi uma obra do destino. Esta música meu pai compôs prá mim, eu estava no ápice do término de um relacionamento na época do colégio, e eu via essa pessoa todos os dias praticamente, estava bem complicado pra mim, e na primeira vez que ouvi a música estava no colégio e meu primeiro pensamento foi em ir para casa e abraçar o meu pai; essa música ficou guardada por anos como algo bem pessoal. Só que surgiu um edital, e pelo edital tínhamos que cantar 3 músicas autorais, que foram “Nostalgia” composta por mim, “Escute Quando Estiver Triste” composta pelo meu pai e “Pandemia” composta por nós dois. Lançamos as canções no YouTube que era uma determinação do edital, e eu peguei a música “Escute Quando Estiver Triste” e lancei no meu Instagram e no Facebook, e a música “bombou”.

Meu pai mostrou a música para um amigo dele, e este amigo mostrou para Saulo que gostou e disse que queria gravar. Saulo comentou com meu pai que estava na Califórnia compondo algumas músicas e estavam meio enroladas e que ele vinha com aquela música simples, simples mais linda e que queria gravar comigo.

Fomos ao estúdio e gravamos, os arranjos foram feitos pelo Davi Moraes, filho do Moraes Moreira.

A produtora Macaco Gordo produziu o clipe que ficou lindo, Saulo na Califórnia e eu aqui na Bahia.

Só tenho a agradecer essa oportunidade, ele poderia ter gravado sozinho, mas me convidou para gravar com ele, esse tipo de atitude dele me deixou muito feliz; os artistas grandes deveriam fazer isso com os artistas menores.

Turbinado – Voltando para a época do The Voice, os jurados eram o Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e Vitor & Léo, você escolheu o time do Carlinhos Brown, foi difícil a escolha?

LIA – Cara, teve um pouco porque Brown e Ivete são duas potências de Salvador, mas eu já tinha uma afinidade com o trabalho de Brown e porque na minha mãe fez backing vocals na banda dele no início, ela falava da genialidade dele em se tratando de ritmos, um cara sempre muito jovial que está sempre se atualizando. Na época em tinha apenas 14 anos e ouvia muito Chico Buarque, Paulinho da Viola, toda essa galera das antigas, eu na verdade não sabia direito o que eu gostava de cantar; e a energia bateu e eu acabei escolhendo ele. Não me arrependi de forma alguma de ter entrado no The Voice, foi um choque que definiu o que o meu futuro seria em cima de um palco.

Turbinado – Você é vegana correto? Como o veganismo surgiu em sua vida? Tua família é vegana?

LIA – Tudo começou no colégio, quando um professor disse a palavra “Vegetariano”, e aí eu voltei para casa de disse para minha mãe que queria ser vegetariana. Passei uns quatro ou cinco anos comendo peixe, tirei as carnes vermelhas mas ainda consumia leite. Algum tempo depois eu estava no interior da Bahia e assisti um vídeo no Youtube que dizia que ao assistir aquele vídeo a pessoa não iria mais comer proteína animal, e naquele dia virei vegana e não consumo mais nada de origem animal. Em casa apenas eu sou vegana e minha namorada também é, e ser vegana é uma coisa que me faz muito feliz, eu ajudo a mim mesma, ao planeta e aos animais e as pessoas, então porque guardar isso só pra mim? Por isso compartilho muito sobre esse assunto em minhas redes sociais, afinal não se trata apenas de alimentação, se trata também sobre a indústria.

É uma questão muito grande, o veganismo atualmente meio que virou moda, por exemplo a granola não tinha “selo vegano”, e as grandes empresas estão colocando estes selos que já eram veganos naturalmente para poder entrar nesse mercado “Vegano Elitista”, a minha questão com isso é mais de boicotar essas empresas, a redução de consumo de carne está aumentando cada vez mais.

Turbinado – Quero falar contigo sobre “Diversidade”, você trata deste assunto em alguns de seus clipes de uma forma muito bonita e simples. Nos últimos 2 anos deste atual governo mostrou um crescimento da intolerância de um seguimento da sociedade com a população LGBTQIA+ e negros no Brasil, o que você acha disso, e como é essa luta na Bahia contra a Homofobia?

LIA – Eu sou uma pessoa muito privilegiada, tenho uma família que me acolhe e me apoia, o que acontece é que o cenário baiano em geral é extremamente machista, isso se reflete em algumas músicas que falam de olhar as mulheres e cortejar de forma assediadora; o que eu acho que a galera da minha geração tem que fazer em relação a isso, a galera que continua com esses pensamentos estão aí com seus 50, 60 anos, quantos anos de vida essa pessoa ainda vai ter? A gente tem que se preocupar com essa galera? Eu acho que não, a gente tem que se preocupar é com a galera que está dentro de casa com um pai e uma mãe assediando moralmente com comentários preconceituosos e pejorativos seus filhos e filhas.

Eu sempre trago assuntos novos para dentro de minha casa, sempre discutimos sobre e minha mãe sempre está me perguntando sobre algo, é legal os pais se abrirem e procurar aprender com os filhos.

Eu tenho uma música chamada “Prá Você”, que assim que eu me descobri dentro do movimento LGBTQIA+ meu pai veio junto comigo, e essa música homenageia essa galera tão oprimida; eu tento usar o meu lado privilegiado para ajudar os meus amigos gays e trans e que as vezes não estão confortáveis em suas casas, não tem o acolhimento por parte de seus familiares e são tratados como abominações.

Turbinado – Para terminarmos, gostaria de saber qual a previsão para o lançamento do álbum?

LIA – Estamos em junho né!, provavelmente lá para novembro.

Turbinado – Quer deixar uma mensagem para a galera que leu a sua entrevista?

LIA – Gente é o seguinte, o Site Turbinado me convidou e eu espero que vocês gostem muito da entrevista, foi um momento incrível de conversar com vocês; e se vocês quiserem conhecer um pouco mais do meu trabalho é só me seguir nas minhas redes sociais e ficar aguardando que em breve teremos coisas novas pra quem gosta de música, de carinho, de amor, de novidade, de festa, e quem gosta de curtir a vida. Me sigam no meu Instagram.

 

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Confira abaixo:

LIA

"Vejo Você e Eu"

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