ENTREVISTA COM A BANDA PANIC - " O METAL FEITO NO BRASIL NÃO FICA ATRÁS DE NADA QUE SEJA REFERÊNCIA EM OUTRAS PARTES DO MUNDO"

Publicado em Fevereiro 27, 2019
Autor / Fonte: GLAUCO MALTA


ENTREVISTA COM A BANDA PANIC -

Crédito das Fotos: GLAUCO MALTA


TURBINADO ENTREVISTA A BANDA PANIC:

"O METAL FEITO NO BRASIL NÃO FICA ATRÁS DE NADA QUE SEJA

REFERÊNCIA EM OUTRAS PARTES DO MUNDO"


Turbinado – Agora em 2019 a banda completa 32 anos desde o lançamento do clássico LP “Rotten Church”, que é aclamado como um dos discos seminais na história do trhash metal nacional (merecidamente). Mesmo com um período de hiato, a banda cravou seu nome entre os grandes do Metal Nacional; vocês achavam que a banda teria tanta longevidade? 

Panic – No final dos anos 90 a banda parou e ficou quase 10 anos inativa, retornando somente em 2009. A longevidade da banda se deve ao guitarrista fundador Eduardo Martinez. Existiram muitas formações diferentes durante todos esses anos, e o único integrante em comum em todas essas fases foi o Martinez. Até mesmo a formação atual, só foi possível porque o Martinez convocou o Rexx (que fez parte da banda no começo dos anos 90) e o Gabriel (que vinha tocando na banda desde o retorno em 2009) para continuarem com as atividades, mesmo sem ele.

 

Turbinado – Vocês se deram conta que a banda se iniciou em um século analógico e virou para um novo século  onde  “praticamente” tudo é ou tem algo de digital? O que mudou dentro deste contexto no modo não só de  gerirem a banda, mas  também de composição e produção? Vocês acham que tanta tecnologia ajuda ou atrapalha  atualmente? 

Panic – Existem os dois lados. Hoje em dia as ferramentas tecnológicas disponíveis aceleram muito o processo  musical,  gravar em um estudio é um processo muito mais dinâmico, podendo se fazer takes de pequenos trechos,  se for preciso,  durante uma gravação. Também é muito mais fácil para gravar pré-produção de novas  composições  de forma caseira antes  de entrar em estúdio. O lado negativo é que boa parte do público acaba acomodado, fica acompanhando as bandas que  gosta pela internet e não comparece aos eventos. 

 

Turbinado – A Panic passou por algumas mudanças de formação ao longo de sua carreira, a formação atual está com um jovem e talentoso guitarrista novo; gostaria que vocês falassem para os fãs sobre esse novo membro e como a troca de integrantes afeta o processo criativo da banda. 

Panic – Na época em que a banda era um trio formado por Martinez (guitarra), Gabriel Siqueira (baixo e vocal) e Hércules Priester (bateria), o Rômulo era aluno do Martinez. Apesar de muito jovem, era um prodígio em ascenção. Quando o Martinez estava prestes a sair em turnê com o Hangar, ele treinou o Rômulo para tocar o repertório da Panic, para que a banda não precisasse parar em decorrência de sua ausência. É muito legal ter o Rômulo de volta à banda, desta vez como integrante efetivo. 

 

Turbinado - Como vocês veem a cena underground hoje em dia? A impressão que tenho é de que os locais para tocar ao vivo estão cada vez mais escasso, poucas casas que abrem suas portas atualmente. Vocês acham que a galera prestigiava mais os eventos na década de 80 do que hoje em dia, e por isso essa queda nos locais para se apresentar? 

Panic – O que mudou da cena dos anos 80 para hoje foi inserção da internet, e isso alterou praticamente tudo, hoje você tem acesso a tudo na palma de sua mão, músicas, vídeos e outros conteúdos. E claro existem outros fatores que também influenciaram a mudança, desde segurança e valores exorbitantes cobrados em eventos. Mas vejo hoje mais locais para eventos do que nos anos 80, o problema está em fazer o público comparecer nos shows. 

 

Turbinado – No final do ano passado vocês dividiram o palco com as bandas Rebaelliun, Hangar e Gueppardo na 9ª edição do RS Metal, foi um show matador; eventos deste porte com toda aquela boa estrutura de som e luz fazem falta na cena não acham?

Panic -  Verdade, foi muito legal ter participado deste festival, com esse lineup composto por bandas de grandes amigos nossos. Também participamos do Matanza Fest, onde tivemos um tratamento excelente por parte da produção e da equipe técnica, além de uma recepção muito calorosa do público. Somos muito gratos à Abstratti Produtora e à Pisca Produtora por abrirem essas portas para nós. Com certeza são raras as oportunidades, para qualquer banda underground de Thrash Metal, de ter acesso a toda essa qualidade de som, luz e com a presença de público que tivemos nesses festivais, mas de qualquer  forma, seja onde for e quaisquer que forem as condições, estamos sempre dispostos à dar o nosso melhor no palco. A lição que temos,  tanto como grupo quanto individualmente, pois temos na formação atual músicos que passaram por muitas bandas e tem muita  experiência de estrada, é que o profissionalismo se faz presente no underground, mesmo não tendo a estrutura de palco, som, luz e  backline que esses festivais oferecem, a determinação de se fazer o melhor com o equipamento que se tem. 

 

Turbinado – Desde a década de 80 o Brasil vem produzindo, “geração após geração” bandas maravilhosas na cena Metal, não    devendo nada para banda “gringa” nenhuma. Porque pouquíssimas bandas daqui conseguem “furar” esse bloqueio e chegar ao  “mainstream”? Temos alguns exemplos como Sepultura, Angra, Krisiun, bandas que estão totalmente fora da curva da realidade de circuitos de shows no exterior. O que tá faltando para o Metal brasileiro tomar de assalto a Europa e EUA? Vocês acham que estas (e outras) bandas poderiam levar algumas bandas para abrirem para elas nas turnês na gringa? Seria esse um caminho?

Panic – Verdade, a qualidade do Metal feito no Brasil não fica atrás de nada que seja referência em outras partes  do  mundo.  Aqui no Rio Grande do Sul temos amigos que já levaram seu som para outros continentes, o Rebaelliun  foi tantas  vezes à Europa, o Hibria foi tantas vezes ao Japão. Sonhar com o “mainstream” é uma utopia, é preciso  ter os pés no chão,  lutar com as armas que temos. Com certeza seria excelente se muito mais bandas brasileiras  tivessem esse acesso à outras  partes do mundo, mas não parece tão fácil, e é muito caro, requer um  planejamento  de longo prazo e os contatos certos.  Também  e tocar nos demais países da América do Sul.

 

Turbinado – Atualmente no cenário nacional, qual banda vocês estão ouvindo e que destacariam como uma  grande promessa e que tem tudo para fazer uma grande trajetória dentro e fora do país?

Panic – Temos acompanhado os Brothers da Exterminate, tem também a Nonconformity, Hideous MonarchHorror  Chamber.

 

Turbinado - A discografia oficial da banda consiste em três álbuns lançados oficialmente, “Rotten Church” de  1987, “Demolition Tape” (Demo) de 1991, “Best Before And” de 1992, “Boiling Point” de 1996, vocês  pretendem lançar “fisicamente” algum material inédito futuramente? Quais os planos da banda para lançamentos  futuros? 

Panic – Recentemente o “Best Before End” foi relançado pela Cogumelo Records, pela primeira vez em CD, e logo mais teremos o     “Rotten Church” e a “Demolition Tape” em diversos formatos, relançados pela gravadora norte-americana WYLN. Existe material inédito, feito nos últimos 10 anos, estamos trabalhando nisso e, também, em composições novas. Temos, sim, a intenção de lançar em formato físico.  

 

Turbinado – Quero agradecer imensamente a disposição de vocês em cederem um pouco do seu tempo para esse bate papo com o  Site Turbinado, contem sempre conosco. Gostaria que vocês deixassem uma mensagem para os fãs “Old School” e também para a galera da nova geração que acompanha o trabalho da banda.

Panic – Primeiramente agradecer ao Site Turbinado pela oportunidade e dizer aos fãns de metal de todas gerações, que nunca deixem de apoiar as bandas. Unidos somos mais fortes!!!

 

 

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